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Isolamento, Insanidade e Mortes

20/04/2020 22h31 Atualizada há 2 anos
Por: Redação Canarana em Foco Fonte: Sirlei Theis

Antes ele chegava carregado de raiva e amargura, descarregava nela todas as suas frustrações. Bastava um pequeno deslize e pronto, lá iam as agressões verbais e em muitos casos físicas. Ela, tomada pelo medo nunca encontrou forças para denunciar. Medo da morte, medo da vida, um medo sem fim que lhe torturava todas as vezes que ele chegava em casa.

Agora ele não sai mais, estão confinados em casa e ela mais do que nunca tem o medo a lhe acompanhar. E agora, até quando terá forças para continuar. Não acredita na punição e por isso tem muito medo de denunciar, então apenas continua. Tentando errar o mínimo possível, pois sabe que ao menor descuido um novo ataque dele vai lhe alcançar. Até quando vai esta pandemia, até quando irá suportar. O certo é que na casa ao lado ninguém sonha pelo que ela está passando e o medo lhe impede até mesmo de buscar ajuda.

Quando a noite chega o medo deita-se ao seu lado. Ela fecha os olhos na esperança de que o sono lhe traga descanso, que ao acordar a noticia do fim do confinamento chegue, que o leve de volta para o trabalho e torne sua vida menos sofrida.

Enquanto isso, muitas pessoas relatam em suas mídias sociais as dificuldades para se adaptar ao isolamento social. Que de um dia para o outro as rotinas e hábitos tiveram que ser mudados, não por opção, mas por necessidade.

Se ajustar a essas alterações realmente não é fácil para ninguém, mas quando a família mantém relacionamentos saudáveis e equilibrados fica muito mais fácil suportar, podendo este momento até ser usado para solidificar as relações.

Imagina então a quarentena para um grande grupo de pessoas que já vive em um isolamento social provocado pela violência doméstica. Isso mesmo, pessoas que vivem em um isolamento por medo dos parceiros. A vida das vítimas de violência doméstica já é difícil em tempos normais, não pelo isolamento em si, pois a isso já estão acostumadas, mas para o que o isolamento social forçado por conta do Covid-19, levou para suas vidas.

De repente, por conta de uma pandemia, são obrigadas a conviver 24 horas com o agressor, que em sua covardia tende a transferir para a vítima por meio da violência a responsabilidade por suas fraquezas e inseguranças.

Além do medo da doença que afeta a todos nesse momento, a vítima de violência doméstica precisa lidar com os medos habituais que fazem parte do seu dia a dia. E é em razão dessa situação, conforme mostram as pesquisas, que esse tipo de violência tem crescido em todo o Brasil em tempos de Coronavírus.

No Estado de Mato Grosso, foram 17 mulheres vítimas de feminicídio no primeiro trimestre do ano de 2020, representando um percentual de 400% superior ao mesmo período do ano passado.

Isso é preocupante para Mato Grosso, que nos últimos anos sempre tem figurado entre os Estados que mais matam mulheres no Brasil. No início de cada gestão cria-se muita expectativa para os investimentos nessa área, mas logo, as promessas de campanha são esquecidas e as mulheres continuam virando estatística.

Albert Einstein disse brilhantemente que: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Até quando nossos governantes vão continuar pensando que palavras vão resolver a questão. Não temos mais tempo, afinal mulheres neste momento estão reféns do medo e inertes por não acreditar mais nestes discursos vazios e cheios de fantasias. Precisamos mais do que nunca de ação e de prevenção. Fazer mais do mesmo não trará resultado diferente. Já passou da hora de parar com a politicagem e implementar políticas eficientes que possam mudar essa realidade.

Embalada pelo medo ela se deita e espera o sono chegar. Um grito corta a noite sem que ninguém se levante em sua defesa. Ela esqueceu a luz da sala ligada, foi o que bastou para que um novo ataque de fúria caísse implacável sobre ela. Sem ação ela busca o silêncio, mas ele quer mais e a ataca com socos e tapas. Ela vai deitar toda cheia de hematomas, enquanto isso não muito longe dali outra mulher perdeu a vida tentando por fim ao relacionamento abusivo. Os números crescem, vidas que se embaralham nas estatísticas. A pergunta fica, até quando? Até quando? 

 

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Sobre OPINIÃO | SIRLEI THEIS
Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental. E-mail: [email protected] Instagram: @sirleitheis Facebook: sirleitheisoficial
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